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TOUT VA BIEN 1 Podemos falar com segurança em reconstrução pós-guerra, ou deveríamos antes referir-nos a esta última fase como construção de guerra? Uma questão ainda mais provocante surge: a guerra civil acabou ou é a actividade febril de construção uma perversa manifestação do seu processo polimórfico? 2
Com a ONU, a população estrangeira recém-chegada procurou imediatamente estabelecer-se. Procurou abrigo, alimentação, local de trabalho, meios de transporte, relações afectivas, e fê-lo na maioria das vezes tendo como referência as suas anteriores vivências e não as referências existentes no contexto. E a reconstrução concreta do território começou neste preciso instante, na procura de abrigo de ambas as populações. Mas simultaneamente criaram-se dois tipos de operação. Por um lado a comunidade estrangeira extremamente activa - porque tem meios que o permitem - encontra facilmente as soluções para os constantes problemas e dificuldades que se lhes apresentam, visto que muitas vezes só o estatuto lhes possibilita o acesso aos bens, ou aos meios para os adquirir. Por outro lado, a população local vive numa fase traumática de um pós-guerra, e apesar da aparente normalidade - quase incompreensível ao pensarmos nos acontecimentos que lhes provocaram todas as perdas - não consegue reagir e estabelecer relações que não passem pela indiferença e letargia perante a realidade que a envolve. A chegada de uma população estrangeira de características cosmopolitas e com outras referências culturais, - no caso de Timor-Leste num número superior a 10.000 pessoas - talvez seja o facto mais importante a reter, como primeira avaliação, do que pode ser a reconstrução de um território destruído pela guerra por uma força exterior formada por todas as organizações internacionais envolvidas neste tipo de operações.
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